Certo
dia no sertão, moravam um homem e uma mulher que tiveram um filho chamado Matheus.
Toda manhã, o pai saia para
trabalhar, a mãe cuidava da comida e o filho tinha o tarefa de levar a comida
para o pai. Mas tinha um problema, o menino era danado e perigoso, pois mentia
muito. Ele falava para mãe que iria levar a comida para o pai e voltava logo.
Na verdade, quando chegava no meio do
caminho, ele parava abria a marmita e comia toda carne que a mãe mandava para o
pai. Quando chegava na roça, onde o pai trabalhava, ele entregava a comida para
o pai que sempre perguntava:
- Meu filho, mas cadê a carne? Aqui só tem ossos!
Então o filho olhava para o pai com
uma cara de tristeza e falava:
- Meu pai, minha mãe tem um amante e comeu a carne toda com
ele, colocando só os ossos pra o senhor. E sabe de uma? Eles já fizeram uma cabana no quintal para namorar enquanto
o senhor está aqui.
Mas o pai não ligou e o menino dando
uma de esperto correu até sua casa e fez uma cabana no quintal.
Passou um dia e chegou o outro, e
aconteceu a mesma coisa. O pai do menino ficou furioso, pegou uma faca, colocou
no bolso e foi para casa. Chegando lá, foi diretamente no quintal e viu a
cabana que o filho falou.
Sem pensar em nada, foi até a sala
onde estava sua mulher e começou a furá-la com a faca e ela lhe perguntou por
que ele estava fazendo aquilo com ela e ele a contou.
Antes de morrer, a mãe disse: - Eu
quero que Matheus vire um lobisomem e que só comerá porco e bebê que não é
batizado.
Ela morreu, o marido a enterrou e foi
a procura do filho, mas não o achou. Ele já tinha virado lobo e sumido.
Com o passar do tempo, o menino
Matheus cresceu e virou um homem, só que morando em um outro lugar onde tinha
amigos e uma comadre.
Um dia em que ele tinha virado
lobisomem, descobriu que a comadre tinha um bebê e resolveu comê-lo, quando a
comadre saiu para pegar água e deixou o bebê dormindo.
Ele pegou o bebê e quase o comeu, só
não comeu, porque descobriu que o pequeno já era batizado. Então o largou na
areia quente e foi embora.
No meio do caminho, encontrou a comadre e
disse:
- Comadre corre, pois se você não chegar a
tempo seu filho vai morrer. Eu o peguei para comer, mas como ele era batizado o
larguei na areia quente.
Davi Santos e
Jaqueline Santos - EJA IV



