Hoje tenho 14 anos e moro em Jacobina – Bahia. Nasci no dia vinte e nove de maio, no hospital Regional, tenho seis irmãos, sendo que sou gêmeo de outro. Quando eu tinha um ano de vida a minha mãe tinha trinta e quatro. Hoje ela já tem quarenta e sete anos.
Eu sempre gostei dela e do meu pai também. Quando eu tinha dois anos eu fui morar em Itapicuruzinho. Meu pai era garimpeiro e trabalhava na serra dentro de uma galeria com outros amigos.
Onde eu morava só tinha umas oito casas e meu pai arrumou um inimigo e eles só ficavam brigando. Quando eu completei quatro anos foi quando meu pai morreu. Ele estava um dia fazendo a barba e a filha do inimigo do meu pai passou pirraçando ele. O meu pai foi fazer pergunta ao pai da menina que estava na janela da casa dele e meu pai estava embaixo de um pé de amêndoa. Meu pai estava muito nervoso e deu um tiro, o homem fechou a janela, e a bala bateu na janela. O homem deu outro tiro que acertou perto do coração do meu pai. Na espingarda tinha uma bateria e ela estourou dentro dele.
O homem fugiu a cavalo e o meu pai foi para o hospital e de lá foi para Feira de Santana. Perto de Feira, quando ia amanhecendo ele morreu.
O homem que matou meu pai até hoje nunca apareceu. E nós, minha mãe, meus irmãos e eu, ficamos muito tristes, com muita raiva. Os meus irmãos e os amigos do meu pai ficaram querendo se vingar.
Hoje, para sobrevivermos três irmãos meus trabalham em uma firma e os outros trabalham na serra. A minha mãe é aposentada e todos a ajudam. E assim nós levamos a vida.
Joadson Lima Silva
Edilânio Santos da Luz